São Luís está numa Ilha. E quem não sabe?


Deve haver alguma vantagem em morar ou governar um município numa Ilha...


Certa vez, indo dialogar com comunidades das Ilhas do Arquipélago de Maiaú, bem ali em Cururupu, MA, antes da minha jornada de escuta-diálogo por lá, conversei anonimamente com alguns líderes das comunidades pra melhor conhecer suas visões. E eles sabem o que produzem e o que não produzem. Conhecem os problemas e como eles chegam, vez que os acessos são facilmente monitorados. Sabem que os recursos são limitados e conhecem suas riquezas... notadamente as culturais e recursos naturais.


Em Guajerutiua, uma das ilhas de lá, pasmem, os jovens não querem ser obrigados a sair de onde moram porque faltam as condições de permanecerem. Ao contrário: eles querem ter a opção de estar ali. E isso é regra nas Ilhas, fui avisada antecipadamente!

Sabe o que essas lideranças têm em comum?


Visão ecossistêmica. Isso mesmo, enxergam o seu lugar como um sistema vivo, dinâmico, composto por muitas vidas que precisam comer, ir e vir, se sustentar, estudar, ser gente que se envolve (cultura, a raiz de todas as políticas); precisam de combustível, alimentos, energia, onde pôr os resíduos. São os inputs e outputs necessários às cidades, sob pena delas se tornarem para sempre lugares desiguais, inacessíveis, injustos para se viver.

Em ilhas isso é especialmente importante! As ilhas são bons lugares para se ter essa visão. Também, penso eu, é um bom caminho para se compreender sobre sustentabilidade nas cidades-ilhas.


Em São Luís, o que indica se estamos tomando o rumo do sucesso ou do fracasso? Ou melhor dizendo: o que indica que somos um lugar melhor ou pior para se viver? O quão os novos gestores respondem aos nossos dilemas de cidade-ilha, com mais três municípios?


Foto: Roseane Sena / Reprodução: Imirante

Sobre multimodais de mobilidade, sobre cultura dinâmica, sobre consórcios públicos para enfrentar os desafios que as regiões administrativas convencionais não resolvem (cultura, recursos hídricos, saneamento e tantos outros sistemas públicos), sobre política de gestão costeira e de pesca; sobre se preservar os valores de paisagem; sobre potencializar as vocações; sobre fomentar o que queremos com vetor de envolvimento; sobre formar pensamentos críticos e, por conseguinte, descortinar e construir modelos de convivência mais antenados às nossas realidades dinâmicas e únicas. Sobre uma nova governança, em rede.


Urge tecermos uma nova cidadania ambiental com o mundo:

- Centrada no bem viver dos seres viventes a quem se submetem os arranjos político- econômicos; - Que promova a inclusão de todes, especialmente os grupos mais vulneráveis e em extinção; - Consciente da importância da conservação e regeneração da natureza que garante a continuidade da vida saudável; - Ecossistêmica, crítica, solidária e emancipatória; - Que valorize a sociobiodiversidade garantindo a vida plena e em cooperação para assegurar as diferenças culturais e a cultura dinâmica; - E que fortaleça as instituições democráticas, especialmente as de base comunitárias e autônomas.


E enquanto os rios procurarem seus leitos, com seus fluxos naturais interrompidos, eles seguirão...


Sobre a autora


Luzenice Macedo Martins é bióloga, MSC em Saúde em Ambiente, Consultora Legislativa da Assembleia Legislativa do Maranhão e fundadora do Instituto Maranhão Sustentável

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